Educar seu cãozinho é um processo que envolve, além de amor, muito tempo e muita paciência. Infelizmente nem todos conseguem tempo e paciência, o que prejudica bastante a convivência, resultando em latidos fora de hora, xixi e cocô no lugar errado, móveis e calçados roídos e outras situações que podem ser evitadas.

Para o Professor DeRose, autor do livro Anjos Peludos, “ter um cão dá trabalho e dá despesas. Para ter um cachorro, você precisa de maturidade e estrutura. É necessário pagar veterinário, dar vacinas e alimentos de boa qualidade, brinquedos, caminha (que ele vai destruir logo, logo), mantinhas e mais uma infinidade de coisas. Ter um cão é como ter um filho, só que não cresce nunca. Você tem de cuidar dele pela vida toda”, ressaltou.

DeRose é pai de duas cadelinhas da raça Weimaraner, a Jaya e a Frieda, e destaca que “o fundamental com cães, filhos e com todos os seres humanos, é cultivar a coerência. Se “não pode” algo, é preciso que não possa sempre. Se numa vez não pode e noutra pode, confunde a cabeça do comandado, seja cão, criança, amigo, namorado ou funcionário”.

DeRose tem 59 anos de magistério e escreveu vários livros sobre comportamento. Ele também dá outras 5 dicas importantíssimas para facilitar a convivência entre cãezinhos e seus humanos.

 1 – Aprenda com quem conhece mais e também coloque um toque pessoal
Antes de levar seu amiguinho para casa procure informações sérias sobre educação de cães. Alguns autores podem ajudar muito, como Cesar Millán e Alexandre Rossi. Contrate um treinador e lembre que a sua participação na educação do cachorro é fundamental. De nada adianta entregar o cão a um adestrador se os seus humanos não participarem das lições e capricharem na coerência. Assim como ocorre com os humanos, os animaizinhos, ficam confusos quando um educa e o outro deseduca. E também não vai funcionar se não houver treinamento sistemático, diário, permanente, incansável.

2 – Onde fica o banheiro?
Fique de olho nos primeiros dias. Sempre que o filhote ameaçar um xixi ou cocô, carregue-o (o cão!), mesmo pingando, e coloque-o em cima dos jornais espalhados previamente no chão para esse fim. Aponte para o jornal e diga: “xixi”. Depois, é só transportar o jornal para outro lugar e ele saberá que onde houver essas folhas, lá é o banheiro. Um recurso que costuma funcionar é colocar o jornal em cima da obra de arte para absorver o cheiro e, depois, levá-lo para o canto certo. Já a localização inadequada, em que ele havia feito suas necessidades, deve ser bem lavada com desinfetante, para que o odor não seja identificado e, assim, evite-se a repetição do comportamento indesejado. 

3 – Objetos da casa não são brinquedos
Para que o seu cão seja feliz e equilibrado é preciso que ele tenha brinquedos que possa morder, despedaçar, correr atrás, fazer cabo-de-guerra com outros cães e com os humanos. A alegria de um cachorro correndo atrás de uma bolinha de tênis é indescritível. É necessário apenas educar o filhote para que ele entenda que só pode morder e destruir os brinquedos dele, e não os demais objetos da casa. Isso se consegue facilmente, sempre retirando da sua boca o outro objeto e oferecendo um dos seus brinquedos. Nos primeiros meses é preciso ser implacável: sempre de olho e permanentemente, sistematicamente, tirando o que não lhe pertence e “explicando” (condicionando, sempre com a mesma palavra), que aquele objeto não é para ele morder. Para que não deixe os brinquedos espalhados, ensinei minha cadelinha Jaya a trazer seus trecos. Digo-lhe: “traz o toy” ou “traz a cama” ou “traz a guia” e ela me ajuda, indo buscar no andar de baixo ou onde o objeto estiver. Tudo é uma questão de educação. E paciência, muita paciência!!!

4 – Deve-se bater no cão quando fizer algo errado?
Em hipótese alguma deve-se bater no cão, assim como no filho. Quando um educador parte para a agressão ele está confessando sua incapacidade. Um líder não entra em desespero. Já escutei pais e proprietários de cães declarando que “com este aqui só batendo, porque ele me tira do sério”. Se ele, cão ou filho, tira-o do sério, é ele quem está no controle. Você pode agredi-lo, torturá-lo, mas jamais vai conquistar a sua alma. Quem educa através do medo e da dor não cativa a admiração, o afeto e o respeito. Isso significa que vai ser obedecido apenas enquanto estiver presente, mas quando sair de perto os comandados vão fazer o que bem entenderem. Além do mais, quem assistir a uma cena de agressão vai julgar você um neanderthal capaz de maltratar cães e crianças. Isso é péssimo para a sua imagem.

5 – Estabelecer sinais de aprovação e de desaprovação
Desde o início estabeleça gestos e sons de aprovação ou de reprovação. Sempre que o cãozinho acertar alguma coisa, faça o mesmo som e dê-lhe uma recompensa de carinho, palavras, tom de voz e… petiscos! Quando ele errar, ignore. Isso funciona mais do que repreendê-lo, pois a repreensão pode se transformar em uma recompensa, já que ele ganhou a sua atenção, mesmo que seja na forma de bronca. No entanto, às vezes, será necessário avisar que determinada coisa não é para ser feita. Então, ajuda muito criar alguns sinais sonoros e gestos que possam ser facilmente reconhecidos.

Acima de tudo vale lembrar que, assim como você dedica tempo para a família, para os amigos e para si mesmo, seu cão também precisará de toda a atenção e ajuda para compreender o mundo que o cerca.

 

Pauta enviada por Mayara Carlis